Se já visitou a Ilha de São Miguel, nos Açores, é impossível não se ter apaixonado pelo aroma que paira no ar da vila das Furnas. Além do cheiro forte a enxofre, há um cheiro doce e reconfortante vem dos bolos lêvedos, uma das iguarias mais icónicas do arquipélago.
Os bolos lêvedos são pequenos discos de massa leve, ligeiramente adocicada, que se situam algures entre o pão e o bolo.
A sua origem remonta aos primeiros colonos da ilha de São Miguel, especificamente na zona das Furnas. Antigamente, eram um alimento básico para os trabalhadores, pois a sua massa fermentada garantia que permanecessem frescos e macios durante vários dias. Hoje, são presença obrigatória em qualquer pequeno-almoço açoriano ou lanche de domingo.





Bolo lêvedo versus bolo do caco: quais as diferenças?
É muito comum confundir estas duas maravilhas da gastronomia insular portuguesa, mas, apesar de ambos serem cozinhados na chapa, são bastante diferentes.
Enquanto o bolo do caco, típico da Madeira, utiliza batata-doce na massa e tem um perfil mais salgado e rústico (sendo quase sempre servido com manteiga de alho e ervas aromáticas), o bolo lêvedo dos Açores é mais delicado. A receita açoriana leva ovos e açúcar, o que lhe confere um sabor suavemente adocicado e uma textura muito mais fofa, semelhante a um brioche artesanal.
Se o bolo do caco é o rei do prato principal, o bolo lêvedo é o mestre da versatilidade, brilhando tanto no doce como no salgado.
Como ir aos Açores não está ao meu alcance tanta vezes como gostaria, não me restou alternativa se não que aprender a replicar a receita na minha cozinha. Vou explicar-vos tudo para que possam fazer o mesmo.



Dicas para um bolo lêvedo perfeito
Se estão com espírito para se aventurarem, anotem estes segredos:
- Temperatura dos ingredientes: Certifique-se de que o leite está morno para acelerar o efeito do fermento, mas não demasiado quente para não matar os microorganismos.
- Paciência com a levedação: Deixe a massa descansar num local seco e sem correntes de ar até que duplique de tamanho. É este tempo que garante a fofura.
- A frigideira certa: Use uma frigideira de fundo pesado ou uma chapa de ferro fundido. O calor deve ser constante, mas médio-baixo. Se estiver muito quente, o bolo queima por fora e fica cru por dentro.
- A farinha no ponto: Ao moldar as bolas de massa, polvilhe bem com farinha. É isso que lhes dá aquele aspeto aveludado e tradicional.



O bolo lêvedo é incrivelmente versátil. Aqui ficam as formas mais de o saborear:
- O Clássico: Acabado de sair da chapa, aberto ao meio e com uma generosa camada de manteiga dos Açores a derreter.
- O Brunch moderno: Recheado com queijo da ilha e um fio de mel, ou com compota de ananás.
- O Gourmet: Utilize o bolo lêvedo como pão para o seu hambúrguer. O contraste entre o doce da massa e o salgado da carne é viciante.











